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SEMEAI,
SEMEAI

ançar
por toda a parte os ensinos evangélicos, procurando esclarecer as inteligências
e dulcificar o coração nesta hora de confusão e de graves perturbações
para o mundo, é a ordem suprema que do Alto temos recebido, porque os
tempos são chegados e a humanidade, que está perdendo a fé e sentindo o
vazio em seu coração, necessita de um estímulo, de um revigoramento
espiritual, que lhe possibilite compreender melhor e solucionar
satisfatoriamente os problemas materiais e morais, que está, no momento,
defrontando.
Por
isso, o trabalho que nós é atribuído nesses últimos tempos é o de
semear, semear sempre, com muita prudência e superioridade de vistas, as
divinas sementes dos evangelhos, lutando para que essas sementes, caindo no
terreno do coração humano, encontre condições propícias para germinar,
crescer e frutificar.
É
certo que esse trabalho, quase sempre torna-se árduo e penoso, causando,
algumas vezes, decepções amargas àqueles que se iludem quanto ao
progresso espiritual do homem, que, infelizmente, não atingiu o grau que
muitos supõem.
Seja
como for, devemos cerrar os ouvidos aos tumultos e à grita alucinante do
mundo, fechar os olhos ao espetáculo diabólico que se nos apresenta, para
cuidarmos de agir, visando o bem do nosso semelhante, a paz entre os homens,
a compreensão profundamente cristã dos que têm alguma parcela de
responsabilidade.
E
continuo crendo, cada vez com mais firmeza, que somente a pregação evangélica,
aliada ao bom exemplo, pode transformar a sociedade, dando ao indivíduo
aquele sentido da vida cristã, que desgraçadamente ele ainda não conhece.
Esse
deve ser o empenho de todos os espíritas, que já compreenderam,
felizmente, que não podem guardar com avareza os tesouros de luz e de
verdade que a Doutrina consoladora do Espiritismo lhes ofereceu, não só
para iluminar-lhes os destinos, como para levar essa mesma luz ao espírito
de todos os seus semelhantes.
Considero
a pregação e a exemplificação dos ensinos espíritas como o trabalho
mais importante, mais árduo e, sobretudo, mais edificante que os espíritas
devem realizar, porquanto é imprescindível não perder de vista a
finalidade suprema do espiritismo.
A
semente pequenina da fé ainda não pôde germinar no coração endurecido
do homem, ainda não conseguiu abandonar aquele estado de vida latente, em
que infelizmente se encontra, para produzir os frutos ansiosamente esperados
por Jesus, uma vez que não germinou e, por isso, não pode desenvolver-se
para se transformar na árvore sagrada do Evangelho.
Semear,
semear sempre, em toda parte, deve ser o lema do bom espírita, desejoso de
levar ao próximo o conhecimento das verdades espirituais e cumprir aquela sábia
recomendação de Jesus Cristo – ”Ide e pregai”.
Sentimos
que nestes tempos os homens bem precisam de alimento espiritual e esse
alimento é a palavra do Cristo, que ainda não foi compreendida e ainda
muito menos sentida e praticada.
Temos
os espíritas a incumbência de preparar um mundo melhor, um mundo de paz e
de fraternidade, de fraterna compreensão entre os homens, de modo que a
solidariedade seja a lei fundamental neste mundo”.
Parece
um sonho, uma utopia essa pretensão dos espíritas cristãos, um sonho
absolutamente irrealizável, mas, o que não padece dúvida nenhuma é que
os homens de hoje demonstram possuir melhores sentimentos e uma compreensão
mais clara dos problemas complexos do espírito, o que revela alguma evolução
já alcançada.
Semear
a luz, a verdade, o bem, o amor e o princípio de fraternidade na alma cética
e atribulada dos homens de nossos dias, deve ser o mais forte empenho dos
espíritas cristãos, desejosos de colaborar com entusiasmo na construção
de um mundo melhor.
Acredito
que um dia, no futuro, esse sonho de paz e de fraternidade se tornará
realidade e a fé, o estímulo, o desejo de fazer o bem, a justiça e o amor
poderão fazer ninho no coração dos homens, então regenerados e
espiritualizados.
Sei
que esse trabalho não pode ser levado a efeito em pouco tempo; sei que inçado
de dificuldades e penas; sei que terá de enfrentar a má vontade e a
indisposição de muitos, porém, sei também, que será vitorioso e tornará
felizes todos os que dele participarem, coadjuvando a obra de regeneração,
de alevantamento moral e de redenção que os Espíritos superiores estão
carregados de edificar na terra, sob as vistas amorosas do Cristo de Deus.
Continuemos,
pois, a semear, semear sempre a semear, com alma e coração, na certeza de
que em breve colheremos o fruto do nosso trabalho cristão.
Djalma
Montenegro de Farias
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Extraída do Livro
"Obras Completas de Djalma Farias, Vol. I" |
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